Arte Moderna e Contemporânea

Ao longo da sua já significativa história, a Cordeiros Galeria tem apresentado um diversificado conjunto de exposições, que revelam um acompanhamento criterioso do panorama da arte moderna e contemporânea. A realidade portuguesa e espanhola constituem o principal eixo de atenções desta galeria que regularmente reúne e expõe um valioso e sugestivo conjunto de obras de arte de diferentes períodos compreendidos entre o final do século XIX e a actualidade.

É de salientar que a galeria trabalha há vários anos com artistas históricos da modernidade portuguesa, como Júlio Resende e Rogério Ribeiro. Do seu calendário de exposições constam ainda mostras individuais de artistas, como Mário Bismarck e António Macedo, representados em exclusividade por esta galeria. A edição regular de livros e catálogos que reproduzem e documentam as obras e as exposições com as quais a galeria se encontra envolvida é uma preocupação e um hábito que tem contribuído para fidelizar públicos e divulgar, com elevados padrões de qualidade, as obras de arte que constituem o acervo. Vale a pena sublinhar a este propósito, a edição de diversos volumes que no essencial constituem contributos imprescindíveis e insubstituíveis para a fixação de catálogos raisonné dos artistas Júlio Resende, Rogério Ribeiro e Francisco Simões.

As centenas de obras de arte que integram os fundos da Cordeiros Galeria, podem ser enquadradas a partir de quatro áreas fundamentais: artistas espanhóis do século XX de primeiro plano e grande prestígio internacional (Tàpies, Saura, Millares, Miró, Barceló), pintores históricos das várias fases do modernismo português (Santa Rita, Sónia Delaunay, Pomar, Resende, Rogério Ribeiro), artistas dos anos 60/60 com importância crescente até à actualidade (Sarmento, Lapa, Cabrita Reis, Costa Pinheiro, Sá Nogueira, Bertholo, Calhau, Burmester, Bismarck, Casimiro, Macedo) e artistas em início e meio de carreira representativos do panorama português, de que Clara Martins, artista representada por esta galeria, constitui um bom exemplo.

Uma outra nota a salientar relativamente ao acervo diz respeito ao núcleo de obras de dois pintores espanhóis, Bonifácio e Ciria. O conjunto de telas de cada um deles possui uma autonomia própria e acaba por funcionar como uma espécie de pequena exposição individual, e de causar surpresa pela qualidade e alcance imaginativo da linguagem plástica revelada.

Quem acompanha regularmente a actividade da Cordeiros Galeria, e são muitos que o fazem, dar-se-á certamente conta de que de ano para ano este espaço de exposições tem vindo a crescer e a enriquecer o seu património, encontrando assim a melhor forma de responder às expectativas e interesses de todos aqueles que o procuram. Por isso, e sem nenhuma desatenção a qualquer das outras obras representadas, é justo salientar o núcleo de arte espanhola, que corresponde ao que de melhor os vários artistas incluídos têm produzido ao longo do tempo. Nos casos de Tàpies, Barceló, Millares e Saura, o espectador encontra-se perante algumas peças excepcionais do mesmo nível estético das que se encontram presentes em museus e nas grandes colecções públicas internacionais.